segunda-feira, 4 de março de 2013

o eu e a identidade


JÉSSICA ETAPECHUSK

O EU E A IDENTIDADE



INTRODUÇAO
A escola é uma das instituições responsáveis pela formação dos indivíduos e sua existência fundamenta-se, sobretudo na necessidade de transmitir as gerações mais novas conhecimentos, crenças e valores, abrindo-lhe possibilidades para novas realizações. Embora ela não seja o único espaço que atua significativamente na formação da identidade, não há duvidas que a escola é o espaço por excelência onde o individuo teria possibilidade de vivenciar de modo intencional e sistemático formas construtivas de interação social, adquirindo saberes éticos que lhe propiciem as condições para o exercício da cidadania.
A formação de indivíduos críticos e participativos, que se constitui em um dos objetivos primordiais de uma educação transformadora, passa pela formação de uma consciência moral que capacite o indivíduo interagir com base no respeito mutuo e no reconhecimento do outro como um ser sócia, com direitos e deveres, passa pela formação de uma consciência moral capaz de incorporar, criticar e transformar as normas implícitas em seu grupo social e cultural.
A ação de um indivíduo no mundo e determinada por uma infinidade de componentes da natureza física, psicológica, cultural e social. As transformações que o individuo sofre ao longo de seu desenvolvimento não são resultantes de agentes de natureza sociocultural, pois esses não atuam no vazio, mas interagem com condições relativas ao homem como ser corpóreo e psíquico. A formação de saberes éticos se da em um espaço onde se cruzam em uma interação dinâmica e impossível de ser fragmentados na realidade concreta, aspectos de crescimento e desenvolvimento, que possuem certa universalidade, e aspectos culturais, tais como classe social, gênero, etnia, que possuem especificidade contextual. A construção da identidade cultura, que em si são inseparáveis, se dá, assim, na interdependência e na interpenetração das múltiplas realidades que constituem o homem em seu percurso histórico.

ESTAGIOS DO DESENVOLVIMENTO DA IDENTIDADE DO EU
As pesquisas no âmbito da psicologia do desenvolvimento elegem como foco o pólo a subjetividade e buscam entender como se da esse processo no sujeito cognocente, afetivo e moral. Isso não significa, entretanto, que ignoram ou subestimam a importância do meio sociocultural. Eliminar o pólo das influencias externas seria negar o seu próprio pressuposto fundamental, isto é o que o individuo se desenvolve em interação dinâmica com seu ambiente. Da mesma forma, os estudos culturais ao privilegiar como foco de investigação aspectos de natureza sociocultural, não podem negar que a  ação do homem no mundo é a ação de um ser total: corpóreo-espiritual. Na construção de sua identidade, em que a subjetividade se transforma através de um processo de amadurecimento, também participam, como produto da interação dinâmica com o meio sociocultural, transformações relacionadas com a maturação física. Toda a critica que pertence eliminar um dos pólos da relação é sectária e não apreende o processo em todo o seu significado.
 A reflexão sobre o conceito de desenvolvimento moral associado a um conceito mais amplo de Identidade do Eu e realizada por Habermas. Para ele, “O desenvolvimento da personalidade, o qual por sua vez, é decisivo para a identidade do Eu”. O desenvolvimento moral é, assim, visualizado sob os três aspectos: capacidade de conhecimento, linguagem e ação. A reflexão que visualiza o desenvolvimento moral é inserido no processo de construção da identidade, a nosso ver, integra as dimensões sociocognitiva, motivacionais e culturais presentes nas ações morais.
Para Habermas, o conceito de identidade não tem apenas um caráter descritivo. Embora esse conceito tenha relação com o desenvolvimento de processos biopsíquicos, a identidade do Eu não é uma organização resultante de processos naturais de amadurecimento, estando fortemente vinculada a condicionamentos culturais e sociais Identidade do Eu indica uma organização simbólica do Eu, que faz parte dos processos formativos em geral e que possibilita o alcance de soluções adequadas para os problemas de interação sócia, existentes nas diferentes culturas. Para Habermas esse conceito “indica de um sujeito capaz de linguagem e de ação para enfrentar determinadas exigências de consciência”. Significa a continuidade do Eu no tempo e no espaço, a capacidade dessa ser interpretada reflexivamente pelo agente, sob a perspectiva de sua historia pessoal. Habermas destaca, nesse processo a dimensão da linguagem, isto é, da interação linguisticamente mediada, pois é através da linguagem que de revela de forma inteligível a compreensão de si.
A formação da identidade do Eu se da por mecanismos de aprendizagem, através dos quais, na relação dialética do organismo com o meio, estruturas externas se transformam em internas.
A formação de uma identidade do Eu supõe valorações que se inserem em uma compreensão se si que envolve uma apropriação de sua historia pessoal, vista então no contexto das tradições culturais que a constituíram. Essa compreensão de si significa não somente o modo como uma pessoa se descreve, mas também como ela desejaria ser. O eu Idea, com valores éticos e morais incorporados ao longo de seu desenvolvimento, constitui um componente integrante da identidade do Eu.
O desenvolvimento da identidade do Eu se da em direção a uma crescente autonomia o que significa que o Eu, conseguindo cada vez mais resolver problemas com sucesso, torna-se progressivamente mais independente em relação as determinações sócias, culturais, parcialmente interiorizadas, e aos seus próprios impulsos. O processo de desenvolvimento moral, integrado no conceito de identidade do Eu, abrange o conceito de consciência moral.
O processo de construção do Eu, que abrange o processo de desenvolvimento das estruturas gerais da capacidade de consciência, de linguagem e de ação, e a busca de equilíbrio entre os sentimentos de cuidado e responsabilidade com os outros e o cuidado e responsabilidade consigo própria, se caracteriza ela descentração progressiva do próprio Eu e, pela sua delimitação em face da objetividade da natureza externa e do mundo social.
No centro de toda essa teoria do desenvolvimento, no âmbito da Psicologia, esta o conceito de estagio de desenvolvimento. As teorias psicológicas cognoscitivistas e psicanalíticas, que lidam com a questão do desenvolvimento, segundo Habermas, “já colheram provas evidentes em favor da afirmação de que o desenvolvimento do Eu em formação da identidade  realiza-se por estágios”. Ele distingue quatro estágios de desenvolvimento do EU, sendo: simbiótico, egocêntrico, sociocêntrico-objetivista e universalista.
 PERÍODO SIMBIÓTICO: corresponde ao estagio sensório-motor de Piaget, que vai do nascimento aos dois anos de vida. Durante  o primeiro ano de vida a criança tem, com a pessoa de referência, em geral a mãe, e com o ambiente que a cerca, uma relação tão estreita que podemos dizer que forma com o mundo exterior uma simbiose. Por causa da indissociação do Eu e não-Eu, tudo o que é percebido é centralizado sobre a própria atividade. Gradualmente o bebê começa a perceber os objetivos do seu ambiente como permanentes.
PERÍODO EGOCENTRICO: coincide com o estagio de pensamento pré-operacional de Piaget. Período sensório-motor e estende-se até o inicio do período das operações concretas (7 a 9 anos). Embora já seja capaz de perceber os objetos como permanentes, a criança desse período, ainda não distingue a esfera física do social. Pensa o mundo de modo pré-operacional, intuitivo, em que todas as coisas são ralativiziadas a partir do Eu infantil. Na interação social, as expectativas de comportamento são concretas e inseridas em ações singulares, ações essas vivenciadas e avaliadas na dimensão prazer, desprazer, e suas conseqüências, em gratificações e sanções.
PERÍODO SOCIOCÊNTRICO-OBJETIVISTA: coincide com o período concreto-operacional de Piaget, abrange o período que vai aproximadamente dos 7 aos 12 anos de idade e traz consigo transformações significativas na inteligência, na consciência, na afetividade e na socialização. No nível cognitivo, o pensamento infantil se caracteriza pela reversibilidade das ações, pela presença de estruturas estáveis e coerentes, por sistemas de classificação, de ordem, por conceitos de medida, causalidade, etc. em vista do processo d3e incorporação no Eu dos papeis sociais, durante esse estagio, a identidade natural é substituída pela identidade de papéis.
PERÍODO UNIVERSALISTA: Este período inicia-se na adolescência,quando, gradualmente, a identidade de papel e substituída pela identidade do Eu. Neste período, no domínio cognitivo, o individuo torna-se capaz de realizar operações combinatórias, adquirindo hipóteses. O pensamento hipotético muda a forma de argumentação discursiva, por meio de hipóteses o adolescente e capaz de adotar o ponto de vista do outro e deduzir as conseqüências lógicas que ele implica, julgando seu valor. O processo de constituição da identidade do Eu se da na medida em que o Eu generaliza essa capacidade de superar a velha identidade e aprende a resolver as crises de identidade, reconquistando, em nível mais alto, o equilíbrio perdido entre si próprio e uma realidade social visualizada, nesse momento, sob novas perspectivas.

Conhecer as possibilidades e os limites da formação da consciência mora, ancorada em um processo do desenvolvimento de estruturas interna que se constroem no processo de interação com as outras pessoas, em um determinado meio cultura, pode ajudar o individuo a lidar melhor com os conflitos que surgem no cotidiano, caminhando no sentido de construção de uma consciência moral pós-convencioal. Uma consciência moral que se fundamente no diálogo para solução dos conflitos inevitáveis que surgem na convivência humana, caminhando em direção a uma identidade do Eu crítica e participativa.









CONCLUSAO
Cada um de nós tem respostas próprias para esta questão e que refletem em auto esquema ou autoconceito, uma estrutura de pensamento que temos a respeito de nos mesmos. Esse autoconhecimento é constituído de percepções próprias sobre a nossa identidade social e nossas qualidades pessoais a respeito do nosso comportamento em ralação as outras pessoas é variado, podemos motivar a outra pessoa a agir, tentar controlá-la etc. podemos agir sobre Noé mesmos e dessa mesma forma realizar uma atividade de auto percepção, de auto comunicação, de auto motivação e autocontrole, chamado de comportamento reflexivo. A construção da identidade leva em conta o processo histórico.
 Há um inter-jogo que combina a igualdade e a diferença sujeito em relação a si próprio em seus diferentes personagens e as demais que o cercam por meio do nosso nome temos a indicação singular(indicado pelo próprio nome),e do geral( indicado pelo nome da família), o nome nos diferencia dentro do contexto familiar e o sobrenome é o que nos inclui e nos reconhece como membro dessa família

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